Psicólogos sugerem que a adolescência
deva ir até os 25 anos. Eles acreditam que estender o tempo de amadurecimento
dos adolescentes faria com que eles se sentissem menos pressionados para serem
adultos. Perceba como dizem, com outras palavras, que ser adulto é um horror,
sintoma de alguma desgraça terrível. E quem vai discordar dos psicólogos?
Todo mundo conhece pelo menos um adulto
com mais de 40 que se comporta como se tivesse 16. Os psicólogos chamam de
adolescência tardia a fase que vai dos 18 aos 25. Para a fase da adolescência
depois disso ainda não encontraram um nome apropriado.
A adolescência foi estendida porque os
jovens pararam no tempo. Não existe muita diferença de comportamento entre um
estudante do ensino médio e um universitário hoje. Para o professor de
sociologia da Universidade de Kent, Frank Furedi (para O Globo), a medida de
prolongar a adolescência só vai deixar os jovens ainda mais infantis. Não
poderia concordar mais.
Na época em que Tom & Jerry é
tirado do ar pelo Cartoon Network por se considerado politicamente incorreto,
fica fácil de entender a infantilização a que o sociólogo se refere. Um dos
compromissos mais curiosos de hoje é a superproteção aos jovens; desde tirar da
frente deles palavras consideradas ofensivas em clássicos juvenis, como
aconteceu com “As Aventuras de Huckleberry Finn”, até banir a venda de qualquer
arma de brinquedo, mesmo aquelas coloridas que disparem jatos d’água, como
aconteceu esta semana no Distrito Federal.
De cara surge um problema aí: os jovens
viraram entidades com imunidades demais. De que serve tirar a responsabilidade
de cima de indivíduos que passaram dos 18, para distribuí-la pelo resto da
sociedade, em vez de deixar que o jovem adulto entre em confronto com a
realidade do mundo?
No final, a responsabilidade por um adolescente
acaba sendo dividia com todos, o que na prática significa que a
responsabilidade não é de mais ninguém, nem dele mesmo.
Quando muito, a responsabilidade por um
adolescente é dos pais. Mas faz tempo que esses não estão tão presentes; em
seus lugares já podemos ver autoridades de ternos com caimento ruim que
observam os filhos dos outros à distância, monitorando com canetadas e leis.
Estender a adolescência é também estender o controle dessa gente. Já dizia
Rousseau, se você não tem como estar presente na vida de seus filhos, melhor
abandoná-los num orfanato mesmo – e alguns anos depois escrever um livro sobre
educação infantil.
Todas essas medidas parecem baseadas na
ideia de que a adolescência é uma fase maravilhosa, e que a espécie adolescente
precisa ser preservada para a posteridade. Não precisa. Nenhuma fase é tão
cretina quanto a adolescência. Nenhuma fase deveria passar mais rápido. A
criança é infinitamente mais imaginativa e sensível. O idoso é muito mais
inteligente e interessante. A adolescência reúne o pior da infância e do mundo
adulto. Deus deixou bem claro para nos afastarmos o mais rápido possível dessa
fase quando lhe conferiu as espinhas.
Ninguém consegue ser mais ridículo do
que um adolescente, e aí não importa se ele tem 14 anos ou 56. Gente que
simplesmente quer chamar a atenção sem ter nada para oferecer. Muitos até mais
velhos do que eu; carentes, complexados, bipolares e, pior de tudo, com acesso
a internet. Os piores erros do homem chegam ao clímax nesse período. Para que
prolongar o martírio?
Não existe nenhum efeito prático de
prolongar a adolescência a não ser dar mais tempo para que os jovens fiquem na
fila do show de Justin Bieber. Prática que não deveria ser incentivada. Não
alimente os bichos.

1 comentários:
Muito bom!
Postar um comentário